Quando começas a ouvir falar em terapia do esquema ou abordagem somática, é normal surgirem muitas perguntas. Talvez estejas a lidar com ansiedade, insónia por ruminação ou dores no corpo que ninguém explica, e procuras algo que vá além da conversa tradicional. Neste artigo, vou responder às questões mais comuns sobre estas duas abordagens, de forma clara e prática, para te ajudar a perceber se fazem sentido para ti.
O que é a terapia do esquema?
A terapia do esquema é uma abordagem integrativa que combina elementos da terapia cognitivo-comportamental, da teoria do apego e da terapia focada nas emoções. O foco está nos esquemas, padrões emocionais e cognitivos profundos que se formam na infância e se repetem na vida adulta, muitas vezes de forma inconsciente. Por exemplo, se cresceste a sentir que não eras suficientemente boa, podes carregar um esquema de imperfeição/vergonha que te leva a criticar-te constantemente ou a evitar desafios.
Como funciona na prática?

Nas sessões, a terapeuta ajuda-te a identificar esses esquemas e a perceber como eles se manifestam no teu dia a dia, nos teus pensamentos, emoções e comportamentos. Depois, trabalham juntas para modificar esses padrões, usando técnicas como o diálogo de cadeiras, a reestruturação cognitiva e a experiência emocional corretiva. O objetivo é que consigas responder às situações de forma mais adaptativa, em vez de repetires ciclos antigos.
Para quem é indicada?
É especialmente útil para quem sente que repete os mesmos problemas em relações, tem baixa autoestima, ou vive com ansiedade crónica ou depressão. Se reconheces padrões como “nunca sou amada como mereço” ou “tenho sempre de agradar para ser aceite”, a terapia do esquema pode ajudar-te a quebrar esse ciclo.
O que é a abordagem somática?
A abordagem somática foca a ligação entre mente e corpo. Parte do princípio de que o trauma e o stress crónico ficam armazenados no corpo, manifestando-se como tensão muscular, dores inexplicáveis, fadiga ou sintomas de pânico. Em vez de apenas falar sobre os problemas, a terapia somática convida-te a sentir o que acontece no teu corpo no momento presente.
Como funciona na prática?

Numa sessão, a terapeuta pode guiar-te a prestar atenção à tua respiração, a sensações como aperto no peito ou formigueiro, e a movimentos subtis que o corpo quer fazer. Através de técnicas de regulação do sistema nervoso, como o grounding e a titulação (expor-te a pequenas doses de desconforto), aprendes a libertar a tensão acumulada e a restaurar um estado de segurança. Não precisas de reviver traumas de forma intensa; o trabalho é feito no teu ritmo.
Para quem é indicada?
É ideal se sentes que a terapia tradicional de “falar” não chega às tuas dores físicas ou à sensação de estar sempre em alerta. Mulheres com burnout, hipervigilância, insónia por ruminação ou dores crónicas sem causa médica encontram aqui uma ferramenta poderosa.
Qual a diferença entre terapia do esquema e abordagem somática?
A principal diferença está no ponto de entrada. A terapia do esquema trabalha sobretudo com os padrões mentais e emocionais (os esquemas), usando a cognição e a emoção como via de acesso. Já a abordagem somática entra pelo corpo, usando as sensações físicas para regular o sistema nervoso e, a partir daí, aceder a memórias e emoções. Na prática, ambas se complementam: podes começar por identificar um esquema (ex.: “não posso confiar nos outros”) e depois usar o corpo para sentir onde essa desconfiança se manifesta (ex.: aperto no estômago) e libertá-la.
Qual devo escolher?

Não há uma resposta certa. Depende do que ressoa mais contigo. Se és uma pessoa que gosta de compreender os padrões mentalmente e sentes que falar sobre eles te ajuda, a terapia do esquema pode ser um bom começo. Se, pelo contrário, sentes que o teu corpo fala mais alto, com dores, tensão ou sintomas físicos, e que a mente parece “emperrada”, a abordagem somática pode ser mais direta. Muitas terapeutas, como eu, integram as duas, adaptando a cada momento.
Erros comuns ao iniciar estas terapias
Pensar que é só falar ou só sentir
Um erro é achar que a terapia do esquema é apenas conversa intelectual, ou que a somática é só “respirar fundo”. Ambas exigem presença e envolvimento ativo. Na terapia do esquema, vais sentir emoções intensas; na somática, vais também refletir sobre o que surge.
Esperar resultados imediatos
Outro erro comum é querer resolver tudo em poucas sessões. A mudança de padrões profundos leva tempo, geralmente de 6 a 12 meses para ganhos consistentes. O importante é respeitares o teu ritmo.
Ignorar o corpo na terapia do esquema

Mesmo na terapia do esquema, o corpo está presente. Se ignorares sinais como tensão ou cansaço durante a sessão, podes perder informação valiosa. Por isso, muitos terapeutas incluem elementos somáticos.
Como manter segurança enquanto exploras estas abordagens
Explorar padrões antigos ou sensações corporais pode trazer à superfície desconforto. Para te sentires segura, lembra-te disto:
- Vai ao teu ritmo: Não precisas de mergulhar em tudo de uma vez. A terapeuta deve respeitar os teus limites.
- Comunica o que sentes: Se algo te parece demasiado, diz. És tu quem manda no processo.
- Pratica o grounding: Em casa, experimenta colocar os pés no chão, sentir a respiração ou tocar num objeto com textura para te acalmares.
Se em algum momento sentires que estás a ser levada a um estado de grande angústia, interrompe e fala com a tua terapeuta. A segurança é a prioridade.
Perguntas frequentes
Preciso de ter um diagnóstico para começar?

Não. Podes começar apenas com o desejo de te sentires melhor. A terapia adapta-se às tuas necessidades, com ou sem diagnóstico formal.
Quanto tempo dura cada sessão?
Normalmente, as sessões individuais duram 50 a 60 minutos. Na abordagem somática, por vezes podem ser um pouco mais longas para permitir o processamento corporal.
Estas terapias são compatíveis com medicação?
Sim, desde que o teu médico esteja informado. A terapia pode complementar o tratamento psiquiátrico, mas não o substitui.
Como sei se o terapeuta é qualificado?
Procura profissionais inscritos na Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e com formação específica nas áreas. Pergunta sobre a experiência deles com os teus problemas.
Se ainda tens dúvidas ou queres perceber qual o melhor caminho para ti, fala comigo no WhatsApp. Estou aqui para te ouvir sem pressão.
