Passas horas a remoer o que disseste ou fizeste, sentes que nunca és suficiente e, quando tentas dizer que não, a culpa aperta-te o peito? Se a autocrítica ocupa a maior parte do teu diálogo interno, este artigo é para ti. Vamos explorar como a terapia para autoestima e limites pode ajudar, mas também os riscos de a abordares sem o cuidado certo, especialmente quando há trauma ou ansiedade pelo meio.
O que é a autocrítica excessiva e como afeta a tua autoestima
A autocrítica excessiva é aquela voz interior que te julga constantemente, que aponta cada erro e te convence de que não és boa o suficiente. Não se trata de uma simples reflexão ou desejo de melhorar. É um padrão de pensamento que mina a tua autoestima e te mantém num estado de alerta permanente. Estudos da American Psychological Association mostram que a autocrítica crónica está associada a maior risco de ansiedade e depressão, especialmente em mulheres que acumulam múltiplos papéis (mãe, profissional, cuidadora).
Como reconhecer a autocrítica no teu dia a dia
- Acordas e o primeiro pensamento já é sobre o que fizeste de errado no dia anterior.
- Dizes “sim” quando gostavas de dizer “não” e depois passas horas a sentir-te culpada.
- Comparas-te constantemente com outras mulheres, seja no trabalho, na maternidade ou na aparência.
- Evitas pedir ajuda ou partilhar as tuas dificuldades com medo de seres julgada.

Se te identificas com pelo menos dois destes sinais, a autocrítica já está a ocupar demasiado espaço na tua vida.
O impacto no corpo e na mente
A autocrítica não fica só na cabeça. Ela ativa o sistema nervoso simpático, o teu modo de luta ou fuga, o que pode causar tensão muscular, dores de cabeça, insónia por ruminação e até problemas digestivos. É comum sentires o peito apertado, os ombros tensos ou uma sensação de nó na garganta quando a autocrítica fala mais alto.
Terapia para autoestima e limites: o que podes esperar
Procurar terapia para trabalhar a autoestima e os limites pessoais é um passo corajoso. Mas é importante saber que este processo não é linear e pode, inicialmente, trazer à superfície emoções desconfortáveis. Uma abordagem integrativa, que combine terapia somática (atenção ao corpo) e terapia de esquemas (padrões relacionais), pode ajudar-te a construir uma autoestima mais sólida sem pressa.
Os três pilares de uma abordagem segura

Na prática, a terapia para autoestima e limites assenta em três pilares fundamentais:
- Regulação somática: aprender a sentir o corpo sem julgamento, identificar onde a autocrítica se instala (peito, garganta, estômago) e usar a respiração ou o movimento para acalmar o sistema nervoso.
- Reconhecimento de padrões: perceber que esquemas de infância (como “não sou boa o suficiente” ou “tenho de agradar para ser amada”) alimentam a autocrítica e a dificuldade em impor limites.
- Prática gradual de limites: começar com pequenos “nãos” em contextos seguros, como recusar um convite que não te apetece ou pedir um minuto para ti antes de responder a uma exigência.
Erros comuns ao iniciar terapia para autoestima
Um erro frequente é querer mudar tudo de uma vez. Muitas mulheres chegam à terapia com a lista de “deverias” (devia ser mais confiante, devia dizer não sem culpa, devia gostar mais de mim). Essa pressa pode reforçar a autocrítica em vez de a diminuir. Outro erro é ignorar o corpo: tentar impor limites só com a cabeça, sem trabalhar a segurança física, pode gerar mais ansiedade.
Riscos de abordar a autoestima sem cuidar do trauma subjacente
Se tens um histórico de trauma relacional, como críticas constantes na infância, abandono emocional ou violência, a terapia para autoestima e limites precisa de ser feita com especial cuidado. Forçar a imposição de limites sem primeiro criar segurança no corpo pode ativar memórias traumáticas e aumentar a hipervigilância.
Quando a autocrítica é uma estratégia de sobrevivência

Acreditas que, se fores suficientemente crítica contigo mesma, consegues controlar o que os outros pensam ou evitar erros que te magoam? Essa é uma crença comum em quem viveu ambientes imprevisíveis ou exigentes. A autocrítica, nesse contexto, foi uma forma de te protegeres. Por isso, ao trabalhares a autoestima, é essencial honrar essa função protetora antes de tentares desmontá-la.
Como manter segurança enquanto exploras isto
- Vai ao teu ritmo: não precisas de impor um limite difícil na primeira semana. Começa por notar quando a culpa aparece.
- Usa o corpo como guia: se ao pensares em dizer “não” sentes o coração acelerar ou a respiração ficar curta, para. Respira fundo e coloca a mão no peito.
- Pede apoio profissional: um terapeuta com formação em trauma pode ajudar-te a distinguir entre um desconforto normal e uma ativação traumática.
Se em algum momento sentires que a angústia é demasiado grande, não hesites em ligar para a Linha de Apoio Psicológico do SNS 24 (808 24 24 24) ou para o SOS Voz Amiga (213 544 545).
Como ajustar o trabalho de autoestima ao teu ritmo
Cada mulher tem o seu tempo. Não há um cronograma certo para “curar” a autocrítica ou para começar a impor limites. O importante é que cada passo seja dado com consciência e sem pressão.
Pequenas práticas para o dia a dia
- Registo de três acertos: ao final do dia, escreve três coisas que correram bem, por mais pequenas que pareçam. Isto treina o cérebro a notar o que funciona, em vez de só o que falha.
- Pausa de 30 segundos: antes de responder a um pedido, respira fundo e pergunta-te: “O que é que o meu corpo está a sentir?”. Se houver aperto no peito, talvez precises de um tempo para decidir.
- Limites em microdoses: pratica dizer “deixa-me pensar e já te respondo” em vez de um “sim” automático. É um limite pequeno, mas poderoso.
Perguntas frequentes sobre terapia para autoestima e limites
A terapia para autoestima funciona mesmo?

Sim, quando feita com uma abordagem adequada ao teu histórico e ritmo. A mudança não é instantânea, mas muitas mulheres relatam uma redução significativa da autocrítica e uma maior capacidade de impor limites ao longo de meses de trabalho consistente.
Quanto tempo demora a sentir resultados?
Depende de cada pessoa e da profundidade dos padrões. Algumas notam alívio nas primeiras sessões, outras precisam de vários meses. O importante é não comparar o teu processo com o de ninguém.
Preciso de ter um diagnóstico para fazer terapia?
Não. Podes procurar terapia simplesmente porque sentes que a autocrítica está a ocupar demasiado espaço e queres viver com mais leveza.

Se sentes que está na hora de dar o primeiro passo, estou aqui para te ouvir sem julgamento. Fala comigo no WhatsApp e podemos conversar sobre o que precisas.
