Se estás a ler isto, provavelmente já deste o passo corajoso de procurar terapia, mas algo te faz hesitar. Talvez sintas que não estás a ser ouvida, que o processo é demasiado lento, ou que simplesmente não consegues confiar. A sensação de segurança na relação terapêutica é a base de todo o trabalho, e quando ela falha, o progresso estagna. Neste artigo, vou mostrar-te os erros mais comuns que minam essa segurança e como os podes evitar, para que a tua experiência terapêutica seja verdadeiramente transformadora.
O que é a sensação de segurança na relação terapêutica?
A sensação de segurança na relação terapêutica é a confiança de que podes ser vulnerável sem medo de julgamento, e de que o terapeuta está verdadeiramente do teu lado. É o que te permite baixar as defesas e explorar as partes mais profundas de ti. Sem ela, a terapia torna-se um exercício intelectual, não uma cura emocional.
Porque é que a segurança é tão importante?

O teu cérebro precisa de se sentir seguro para processar emoções e memórias difíceis. Quando a segurança é percebida como baixa, o sistema nervoso entra em modo de defesa, e a terapia pode até reforçar padrões de hipervigilância. Um estudo da American Psychological Association (APA) sublinha que a aliança terapêutica é um dos maiores preditores de sucesso em psicoterapia.
Como reconhecer se a segurança está em falta
Sinais comuns incluem: sentires-te ansiosa antes das sessões, evitares temas importantes, ou saíres das sessões com a sensação de que não foste compreendida. Se isto acontece, não estás a falhar, é um sinal de que algo na relação precisa de ser ajustado.
Erro 1: Ignorar os teus instintos
O teu corpo e a tua intuição são instrumentos valiosos. Se algo te parece ‘off’ na relação com o terapeuta, não ignores. Muitas mulheres, habituadas a duvidar de si mesmas, descartam esses sinais como ‘exagero’. Mas esses sentimentos são informação importante.
O que fazer quando algo não parece certo
Fala disso na sessão. Um bom terapeuta vai acolher as tuas preocupações sem defensividade. Se não te sentires ouvida, considera procurar uma segunda opinião. A terapia é um investimento, e mereces sentir-te segura.
Erro 2: Não validar as tuas necessidades de segurança

Muitas vezes, as mulheres minimizam as suas próprias necessidades, dizendo a si mesmas que ‘deviam’ ser mais fortes. Mas as necessidades de segurança são legítimas, especialmente se tens histórico de trauma. Não há ‘deverias’ aqui.
Como ajustar ao teu ritmo
Se precisas de mais tempo para confiar, ou se queres definir limites claros sobre o que falas, isso é válido. Comunica isso ao teu terapeuta. A terapia deve respeitar o teu ritmo, não o contrário. Um bom profissional vai ajustar o processo às tuas necessidades, sem pressa.
Erro 3: Confundir desconforto com falta de segurança
É normal sentir desconforto ao explorar temas difíceis. Mas desconforto não é o mesmo que falta de segurança. A segurança permite que o desconforto seja suportável e produtivo. Se estás a sentir-te sobrecarregada a ponto de não conseguires funcionar depois das sessões, isso é um sinal de alerta.
Como distinguir desconforto de insegurança
Pergunta a ti mesma: ‘Sinto-me segura para expressar o meu desconforto?’ Se a resposta for sim, é provavelmente crescimento. Se for não, é um problema de segurança. Um bom terapeuta vai ajudar-te a navegar essa distinção.
Erro 4: Não falar sobre a relação terapêutica

A relação terapêutica é um espelho das tuas relações na vida real. Se evitas conflito, podes evitar falar sobre o que não está a funcionar na terapia. Mas é exatamente aí que está o ouro. Falar sobre a relação terapêutica é uma oportunidade de cura relacional.
Como manter segurança enquanto exploras isto
Se sentes medo de magoar o terapeuta ou de ser rejeitada, partilha esse medo. A terapia é um espaço seguro para praticar a assertividade. Se o terapeuta reagir mal, isso é informação valiosa sobre a capacidade dele de te apoiar. A Ordem dos Psicólogos Portugueses reforça a importância de uma relação ética e segura.
Erro 5: Esperar que a segurança seja imediata
A confiança constrói-se ao longo do tempo, especialmente se tens histórico de traição ou abandono. É normal que a segurança demore a instalar-se. Não te culpes por isso. O teu sistema nervoso está a aprender, aos poucos, que este espaço é diferente.
Como ajustar ao teu ritmo
Dá-te permissão para levar o tempo que precisares. Não há um cronograma para a segurança. Celebra as pequenas vitórias, como partilhar algo que nunca contaste a ninguém. Cada passo é significativo.
Erro 6: Não verificar as credenciais e a abordagem do terapeuta

Antes de começares, ou mesmo no início do processo, é importante saber se o terapeuta tem formação adequada e se a abordagem dele se alinha com as tuas necessidades. Por exemplo, se procuras terapia somática, certifica-te de que o profissional tem essa especialização.
O que procurar num terapeuta
Verifica se está inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). Pergunta sobre a abordagem e como ele trabalha com questões de trauma e segurança. Um bom terapeuta vai responder com transparência. Se não o fizer, isso é um sinal de alerta.
Conclusão: A segurança é uma construção conjunta
A sensação de segurança na relação terapêutica não é responsabilidade apenas do terapeuta, nem apenas tua. É uma construção conjunta, que exige honestidade e vulnerabilidade de ambos os lados. Se reconheces alguns destes erros no teu processo, não desanimes. É um convite para aprofundar a tua terapia, não para a abandonar.
Se sentes que precisas de apoio para explorar estes temas, estou aqui para ti. A terapia é um espaço seguro para trabalhares a tua relação contigo mesma e com os outros. Se quiseres conversar sobre como posso ajudar-te, fala comigo no WhatsApp.

Nota de segurança: Se estiveres em crise, liga para o SNS 24 (808 24 24 24) ou, em emergência, para o 112.
Perguntas Frequentes
Como sei se a minha falta de segurança é justificada?
Se sentes desconforto persistente, medo de ser julgada, ou se as tuas necessidades não são respeitadas, é justificado. Confia nos teus sentimentos e fala sobre eles na terapia.
Posso mudar de terapeuta se não me sentir segura?
Sim, absolutamente. A relação terapêutica é crucial, e se não está a funcionar, procurar outro profissional é um ato de autocuidado. Não há culpa nisso.
Quanto tempo demora a sentir-me segura?
Não há um prazo fixo. Pode levar semanas ou meses, dependendo da tua história e do teu ritmo. O importante é que a terapia respeite esse tempo.
