Se já tentaste técnicas de grounding para acalmar a ansiedade e sentiste que não funcionavam, este artigo é para ti. Muitas mulheres que vivem com stress e burnout experimentam exercícios de ancoragem, mas cometem erros subtis que os tornam ineficazes. Vamos ver os erros mais comuns e como ajustá-los ao teu ritmo.
O que é grounding e por que falha?
Grounding é um conjunto de práticas que te ajudam a sair de estados de hipervigilância ou dissociação, conectando-te ao momento presente através do corpo e dos sentidos. Mas, quando feito de forma errada, pode aumentar a frustração e a sensação de fracasso.
Erro 1: Usar grounding como fuga

Muitas vezes, usamos o grounding para escapar rapidamente de emoções desconfortáveis. Por exemplo, quando uma memória difícil surge, podes desviar a atenção para os objetos à tua volta, evitando sentir o que está a acontecer. Isso pode criar um ciclo de evitação, onde nunca processamos o que sentimos. Em vez disso, tenta usar o grounding como uma pausa para observar o que está a sentir, sem julgamento. Uma abordagem alternativa é combinar o grounding com uma pergunta: “O que estou a sentir neste momento?” e permitir que a resposta surja, mesmo que seja desconfortável.
Erro 2: Ignorar as sensações corporais
O grounding não é apenas mental; envolve o corpo. Se ignorares as sensações físicas, como tensão nos ombros ou respiração superficial, perdes a oportunidade de regular o sistema nervoso. Um exercício simples é o body scan: senta-te confortavelmente, fecha os olhos e percorre mentalmente o corpo, dos pés à cabeça, notando onde sentes tensão ou calor. Ao encontrares uma área tensa, coloca a mão nesse local e respira profundamente, imaginando que o ar chega a essa zona. Isso ajuda a libertação da tensão e a ancorar-te no presente.
Como reconhecer um gatilho no corpo
O corpo guarda memórias de stress e trauma. Aprender a reconhecer os sinais de ativação é essencial para um grounding eficaz.
Sinais comuns de ativação
- Coração acelerado
- Respiração curta ou ofegante
- Tensão nos maxilares ou ombros
- Náusea ou desconforto no estômago
- Sensação de formigueiro ou dormência
Como usar o corpo para te acalmares
Quando notares esses sinais, experimenta colocar as mãos no peito ou na barriga e respirar lentamente. Isso ativa o sistema nervoso parassimpático, promovendo calma. Não apresses o processo; dá tempo ao corpo para responder. Por exemplo, se sentires o coração a acelerar, coloca a mão no peito e diz para ti mesma: “Estou segura, o meu corpo está a responder ao stress, mas posso acalmá-lo”.
Erros comuns ao praticar grounding

Além de usar como fuga, há outros erros que podem sabotar a prática.
Erro 3: Praticar apenas em momentos de crise
Se só usares grounding quando estás em pânico, o cérebro associa a prática a situações de emergência. Treina regularmente, em momentos de calma, para criar uma rede de segurança. Por exemplo, define um alarme no telemóvel para três vezes ao dia e faz um minuto de respiração consciente ou de observação dos sentidos. Isso cria um hábito que podes aceder quando precisares.
Erro 4: Escolher técnicas que não se adequam a ti
Nem todas as técnicas funcionam para todos. Algumas pessoas preferem aterrar com sons, outras com texturas. Experimenta diferentes abordagens e descobre o que funciona para ti. Por exemplo, se gostas de sons, podes ouvir uma música calma ou o som da chuva. Se preferes texturas, podes segurar um objeto suave, como uma manta de lã, ou tocar numa superfície áspera. Testa várias opções e regista qual te traz mais calma.
Como ajustar o grounding ao teu ritmo
Cada pessoa tem um ritmo diferente. Respeitar o teu ritmo é fundamental para que a prática seja sustentável.
Começa devagar

Não precisas de fazer 20 minutos de meditação. Começa com 1 minuto de respiração consciente ou 5 sentidos. O objetivo é criar consistência, não intensidade. Por exemplo, durante uma pausa no trabalho, podes fazer uma respiração profunda e notar três coisas que vês, duas que ouves e uma que tocas. Isso é suficiente para te ancorar.
Adapta a técnica ao contexto
Se estás no trabalho, podes fazer um grounding discreto, como sentir os pés no chão ou apertar um objeto. Em casa, podes usar um banho quente ou uma caminhada. Por exemplo, se estás numa reunião stressante, coloca os pés firmemente no chão e sente o contato com o solo. Se estás em casa, toma um banho quente e foca-te na sensação da água na pele.
Como manter segurança enquanto exploras isto
Se estás a lidar com trauma, o grounding pode trazer à superfície emoções intensas. É importante criar segurança.
Estabelece um lugar seguro
Antes de começar, lembra-te de um lugar onde te sentes segura. Podes visualizá-lo ou ter um objeto que represente segurança. Por exemplo, podes ter uma pedra lisa ou uma fotografia de um local tranquilo. Segura esse objeto durante a prática para te sentires mais ancorada.
Procura apoio profissional

Se as emoções forem avassaladoras, considera acompanhamento terapêutico. Um profissional pode ajudar-te a integrar essas experiências de forma segura. A terapia somática e integrativa, por exemplo, foca na regulação do sistema nervoso e no processamento de traumas, sempre no teu ritmo.
Nota de segurança: Se estiveres em crise ou com pensamentos de autoagressão, contacta a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou o 112. Não estás sozinha.
Conclusão: o grounding é uma prática, não uma solução mágica
O grounding pode ser uma ferramenta poderosa, mas exige prática e paciência. Ao evitares esses erros, podes torná-lo mais eficaz. Se sentires que precisas de apoio para explorar estas técnicas de forma mais profunda, fala comigo no WhatsApp. Estou aqui para te acompanhar no teu ritmo.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora a sentir os efeitos do grounding?
Algumas pessoas sentem alívio imediato, mas para outras, os efeitos aparecem com a prática regular. Não há um prazo fixo. Estudos sugerem que a prática consistente, mesmo que curta, pode ajudar a regular o sistema nervoso ao longo do tempo. Por exemplo, uma revisão de 2018 na Frontiers in Psychology mostrou que exercícios de grounding podem reduzir a ativação fisiológica do stress.
Posso fazer grounding sozinha em casa?

Sim, mas se tiveres trauma, é recomendável fazê-lo com apoio profissional, pelo menos no início. Um terapeuta pode ajudar-te a lidar com emoções intensas que possam surgir. Se decidires praticar sozinha, começa com técnicas simples e estabelece um lugar seguro.
Qual é a melhor técnica de grounding?
Não existe uma melhor; depende da tua preferência e do contexto. Experimenta várias e vê qual te traz mais calma. Por exemplo, a técnica 5-4-3-2-1 (cinco coisas que vês, quatro que tocas, três que ouves, duas que cheiras, uma que saboreias) é popular, mas algumas pessoas preferem focar-se na respiração ou em sensações corporais. A chave é encontrar o que ressoa contigo.
