Começar a praticar autocompaixão parece simples: basta falar contigo de forma mais gentil, certo? Mas, na prática, muitas mulheres que tentam reduzir a autocrítica sem um plano acabam por se sentir pior. A autocrítica é um mecanismo de proteção que o teu cérebro criou para te manter segura, e mudá-lo exige mais do que frases positivas. Neste artigo, vais perceber os erros mais comuns ao adotar autocompaixão e como evitá-los, com passos práticos e seguros.
O que é autocompaixão e porque falha sem planeamento
A autocompaixão é a capacidade de te tratares com a mesma gentileza que oferecerias a uma amiga. Mas, sem um plano, ela falha porque o teu cérebro está condicionado a usar a autocrítica como estratégia de sobrevivência. Estudos mostram que a autocrítica ativa a amígdala, a zona do cérebro ligada ao medo, enquanto a autocompaixão ativa o sistema de cuidado, que reduz o cortisol e a ansiedade. No entanto, mudar esse padrão exige prática deliberada e gradual.
Porque a autocrítica parece mais segura

A autocrítica dá-te uma sensação ilusória de controlo. Quando te criticas, sentes que estás a evitar erros futuros. Mas, na verdade, ela aumenta a ansiedade e a ruminação, mantendo-te num ciclo de stress. Sem um plano, tentar ser autocompassiva pode disparar o teu alarme interno: “Se eu for gentil comigo, vou tornar-me preguiçosa”. Esse medo é normal, mas precisa de ser trabalhado com segurança.
O papel do corpo na autocompaixão
A autocompaixão não é apenas mental. O teu corpo precisa de se sentir seguro para que a mudança aconteça. Se estás em estado de hipervigilância, com o corpo tenso e a respirar de forma superficial, qualquer tentativa de ser gentil contigo pode ser bloqueada. Por isso, antes de mudares o diálogo interno, é essencial regular o sistema nervoso. Técnicas somáticas, como respirar profundamente e sentir os pés no chão, criam a base para a autocompaixão.
Erro 1: Forçar a positividade e ignorar as emoções difíceis

Um dos erros mais comuns é tentar substituir a autocrítica por frases positivas, ignorando o que realmente sentes. Dizer “eu sou suficiente” quando estás em pânico pode aumentar a frustração. A autocompaixão não é sobre negar a dor, mas sobre reconhecê-la com validação. Por exemplo, em vez de dizer “não devia sentir isto”, experimenta: “estou a sentir medo, e isso é compreensível”.
Como reconhecer um gatilho no corpo
Os gatilhos emocionais manifestam-se no corpo: aperto no peito, nó no estômago, tensão nos ombros. Quando notares esses sinais, pára e respira. Pergunta-te: “O que estou a sentir agora?”. Nomear a emoção reduz a ativação da amígdala e cria espaço para a autocompaixão.
O que fazer quando a ansiedade aperta

Quando a ansiedade apertar, não tentes forçar a calma. Em vez disso, usa a âncora dos sentidos: repara em 5 coisas que vês, 4 que ouves, 3 que tocas. Isso traz-te para o presente e acalma o corpo. Depois, coloca a mão no peito e diz: “estou aqui contigo”. Esse gesto ativa o sistema de cuidado.
Erro 2: Usar autocompaixão como desculpa para não agir
Outro erro é confundir autocompaixão com autoindulgência. Ser compassiva não significa desistir dos teus objetivos ou evitar responsabilidades. Pelo contrário, a autocompaixão dá-te coragem para agir, porque reduz o medo do fracasso. Se te apercebes de que estás a usar a autocompaixão para procrastinar, volta ao teu propósito e dá um pequeno passo.
Como ajustar ao teu ritmo

Mudar a autocrítica leva tempo. Não precisas de ser perfeita. Estabelece metas pequenas: por exemplo, durante uma semana, repara em quantas vezes te criticas e escreve-as. No dia seguinte, escolhe uma situação para responder com gentileza. Aos poucos, o teu cérebro vai criando novos caminhos.
Erro 3: Ignorar o contexto relacional e os traumas
A autocrítica muitas vezes nasce de experiências passadas, como críticas na infância ou relações abusivas. Se não abordares essas raízes, a autocompaixão pode sentir-se falsa ou até ameaçadora. É importante reconhecer que a autocrítica foi uma estratégia de adaptação. Compreender isso reduz a vergonha e abre espaço para a cura.
Como manter segurança enquanto exploras isto

Se ao praticar autocompaixão surgirem memórias dolorosas ou emoções intensas, vai devagar. Não precisas de reviver o trauma de uma vez. Foca-te no corpo e na respiração. Se sentires que não consegues lidar sozinha, procura apoio profissional. A terapia somática e integrativa pode ajudar-te a processar essas memórias com segurança.
Erro 4: Não praticar regularmente e esperar resultados imediatos
A autocompaixão é como um músculo: precisa de treino diário. Se a praticas apenas quando estás em crise, não vais criar um hábito. Reserva 5 minutos por dia para te conectares contigo, mesmo que seja para dizer: “hoje foi difícil, e tudo bem”. A consistência é mais importante do que a intensidade.
Erros comuns na prática diária
- Esperar sentir-te bem imediatamente.
- Comparar o teu progresso com o de outras pessoas.
- Desistir se um dia falhares.
- Confundir autocompaixão com baixar os padrões.
Conclusão: um convite para começar com segurança
A autocompaixão é uma habilidade que se aprende, e errar faz parte do processo. Não precisas de fazer isto sozinha. Se sentes que a autocrítica está a afetar a tua saúde mental e o teu bem-estar, considera procurar apoio profissional. A terapia pode ajudar-te a explorar as origens da autocrítica e a desenvolver uma relação mais gentil contigo, no teu ritmo. Se quiseres conversar sobre isto, fala comigo no WhatsApp. Estou aqui para te apoiar sem julgamento.
Nota de segurança: Se estiveres em crise, com pensamentos de autoagressão ou ideação suicida, liga para o SNS 24 (808 24 24 24) ou para a Linha de Emergência 112. Não estás sozinha.
