Decidir entre terapia online e presencial pode ser mais confuso do que parece. Talvez já tenhas ouvido que uma é mais eficaz que a outra, ou que a distância física compromete a ligação com o terapeuta. Mas a verdade é que muitos destes medos são baseados em erros comuns de comparação. Neste artigo, vais perceber quais são esses erros e como escolher o formato que realmente se adequa ao teu momento de vida, sem culpa ou pressão.
Erro 1: Achar que a terapia online é menos eficaz que a presencial
Este é talvez o mito mais difundido. A investigação mostra que, para a maioria das condições (ansiedade, depressão, trauma), a terapia online tem resultados equivalentes à presencial. Um estudo da APA concluiu que a aliança terapêutica, ou seja, a confiança entre terapeuta e cliente, se forma tão bem online como presencialmente. O que realmente importa é a qualidade da relação e a abordagem do profissional, não o ecrã.
O que a ciência diz

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Affective Disorders analisou dezenas de estudos e não encontrou diferenças significativas na redução de sintomas entre os dois formatos. A chave está na consistência e no compromisso com o processo, não no local onde te sentas.
Quando o online pode ser até melhor
Para quem vive com ansiedade social, por exemplo, estar no conforto de casa pode reduzir a ativação do sistema nervoso logo à partida, permitindo um trabalho mais profundo desde o início. Também elimina o tempo de deslocação, o que para muitas mulheres sobrecarregadas é uma enorme barreira.
Erro 2: Subestimar a importância da logística no teu bem-estar
Outro erro comum é focar apenas na teoria e ignorar o impacto prático na tua rotina. A terapia precisa de ser sustentável, senão acabas por desistir a meio do processo.
O custo escondido do tempo e da energia
Se trabalhas, cuidas de filhos e ainda geres a casa, arranjar 2 horas para ir e voltar de uma sessão presencial pode ser exaustivo. Esse cansaço extra pode fazer com que cheges à sessão já esgotada, sem energia para te conectares com o que realmente importa. A terapia online elimina esse desgaste, deixando-te mais disponível para o trabalho emocional.
Como ajustar ao teu ritmo

Pergunta a ti mesma: consigo manter este formato sem me sentir ainda mais pressionada? Se a resposta for não, o online pode ser a escolha mais compassiva contigo. Não se trata de preguiça, mas de criar condições reais para que a terapia aconteça de forma consistente.
Erro 3: Ignorar as tuas necessidades sensoriais e de regulação
A terapia somática, que é a base do meu trabalho, foca-se na regulação do sistema nervoso através do corpo. Muitas pessoas pensam que isso só é possível presencialmente, mas não é verdade.
O corpo está sempre contigo
Quando estás online, continuas a sentir o teu corpo. Podes fechar os olhos, colocar a mão no peito, respirar fundo. Tudo isso é possível com a orientação do terapeuta. A diferença é que estás no teu espaço seguro, o que pode facilitar a entrega a sensações mais profundas.
Erros comuns ao tentar regular-te online
Um erro frequente é não preparar o ambiente: sentar-te numa cadeira desconfortável ou ter o telemóvel ao lado. Para que a terapia somática funcione online, precisas de criar um mini-santuário: um local onde não sejas interrompida, com uma almofada, uma manta e água por perto.
Erro 4: Acreditar que a presença física é indispensável para a segurança

Para quem tem trauma no corpo, a sensação de segurança é fundamental. Mas a segurança não vem só da proximidade física. Vem da previsibilidade, da consistência e da qualidade da ligação.
Como manter segurança enquanto exploras isto
Se tens medo de que o online te faça sentir desprotegida, experimenta: marca uma sessão de 15 minutos só para testar a plataforma e sentir a tua reação. Combina com a terapeuta um sinal (como mostrar a palma da mão) se precisares de parar. Aos poucos, o cérebro aprende que aquele ecrã é um lugar seguro.
O que fazer se surgir desconforto
É normal que no início sintas estranheza. Valida essa sensação: “estou a sentir-me insegura, e isso é compreensível”. Depois, respira fundo e pergunta ao teu corpo o que ele precisa. Talvez seja afastar-te do ecrã por um minuto ou apertar uma almofada. A terapeuta está ali para te guiar.
Erro 5: Não considerar a fase da vida em que te encontras
A escolha entre online e presencial não é para sempre. O que funciona hoje pode não funcionar daqui a seis meses. O erro é achar que tens de decidir de uma vez por todas.
Quando o presencial faz sentido

Se estás numa fase de isolamento social intenso e precisas de um motivo para sair de casa, o presencial pode ser terapêutico por si só. Também pode ser preferível se vives sozinha e sentes falta de contacto humano.
Quando o online é a melhor opção
Se estás numa correria constante, com horários imprevisíveis ou a viver em zonas com pouca oferta de terapeutas especializados, o online é um salva-vidas. Permite-te ter acesso a profissionais que talvez não estivessem disponíveis perto de ti.
Nota de segurança: Se estás a passar por uma crise aguda (pensamentos de suicídio, automutilação ou violência), contacta o SNS 24 (808 24 24 24) ou dirige-te ao serviço de urgência mais próximo. A terapia online ou presencial não substitui o apoio de emergência.
Perguntas Frequentes
A terapia online é tão boa como a presencial para trauma?
Sim, desde que o terapeuta tenha formação em trauma e saiba adaptar as intervenções ao formato. A chave está na regulação do sistema nervoso, que pode ser feita remotamente com as estratégias certas.
Preciso de equipamento especial para a terapia online?

Apenas uma ligação estável à internet, uma câmara e um microfone. Recomendo usar auriculares para maior privacidade e um local com boa luz natural.
E se a minha internet falhar durante a sessão?
Combina com a terapeuta um plano B: ela pode ligar-te por telefone ou reagendar. Não deixes que o medo técnico te impeça de experimentar.
Como sei qual o formato certo para mim?
Podes marcar uma sessão experimental online para sentir como te adaptas. Se preferires, também podes começar presencial e depois transitar. O importante é dares o primeiro passo.
Se ainda tens dúvidas sobre qual o formato mais adequado para ti, fala comigo no WhatsApp. Posso ajudar-te a perceber o que faz sentido para o teu momento, sem pressão.
