Se sentes que a dificuldade em confiar te impede de criar relações mais profundas ou de te sentires segura no dia a dia, não estás sozinha. Muitas mulheres que carregam traumas relacionais ou vivem em estado de alerta constante enfrentam este desafio. A boa notícia é que é possível reduzir o impacto dessa desconfiança, começando por entender as suas raízes no corpo e na mente.
O que está por trás da dificuldade em confiar
A desconfiança não é um defeito de carácter – é uma resposta adaptativa. Quando viveste situações de traição, abandono ou violência (mesmo que emocional), o teu sistema nervoso aprendeu que confiar é perigoso. O corpo guarda essa memória, mesmo que a mente já não se lembre de todos os detalhes.
Como o corpo sinaliza falta de confiança

Podes notar tensão nos ombros, aperto no peito, ou uma sensação de “nó” no estômago quando estás perto de alguém novo. Estas são respostas somáticas: o teu corpo está a dizer “cuidado, já fui magoado antes”. Reconhecer estes sinais é o primeiro passo para os acalmar.
O papel dos esquemas iniciais
Na terapia de esquemas, identificamos padrões como o esquema de “desconfiança/abuso”, que se forma na infância quando as figuras de cuidado não foram consistentes ou seguras. Este esquema faz com que esperes o pior dos outros, mesmo quando não há evidências.
Estratégias práticas para reduzir a desconfiança
Não se trata de forçar a confiança, mas de criar condições para que ela possa crescer aos poucos, no teu ritmo.
1. Regula o teu sistema nervoso primeiro
Antes de tentares confiar em alguém, ajuda o teu corpo a sentir-se seguro. Experimenta: coloca a mão no peito, respira fundo por 4 segundos, segura por 4, expira por 6. Faz isto quando sentires o alerta interno a disparar.
2. Testa a confiança em pequenas doses
Escolhe uma pessoa segura (um amigo, terapeuta) e combina algo pequeno: contar um segredo leve ou pedir um favor simples. Observa como te sentes depois. Repete, aumentando gradualmente o risco emocional.
3. Distingue o passado do presente
Quando a desconfiança aparecer, pergunta-te: “Isto é sobre a pessoa à minha frente ou sobre alguém do meu passado?”. Muitas vezes, estamos a reagir a uma ferida antiga, não à situação atual.
Erros comuns ao tentar confiar

É normal quereres resolver isto rápido, mas alguns atalhos podem piorar a situação.
Forçar a confiança antes do tempo
Dizer a ti mesma “vou confiar, ponto final” ignora os sinais do corpo. A confiança constrói-se com consistência, não com força de vontade.
Ignorar os teus limites
Confiar não significa anular a tua intuição. Se algo te parece errado, é válido recuar. A confiança saudável inclui o direito de verificar e proteger-te.
Como manter a segurança enquanto exploras a confiança
É essencial que este processo não te exponha a mais dor. Cria uma “rede de segurança”: identifica pessoas ou lugares onde te sentes minimamente segura. Podes também definir um sinal (como uma palavra ou gesto) para usares quando precisares de parar.
Se em algum momento sentires que a ansiedade ou o pânico te dominam, liga para o SNS 24 (808 24 24 24) ou para a Linha de Apoio Psicológico (225 506 070). A tua segurança é sempre prioritária.
Quando procurar ajuda profissional
Se a dificuldade em confiar te causa sofrimento intenso ou afeta relações importantes, a terapia pode ser um espaço seguro para explorares estas feridas. Através da abordagem somática e integrativa, trabalhamos o corpo e a mente em conjunto, respeitando o teu ritmo.

Não precisas de enfrentar isto sozinha. Se sentes que está na hora de dar o próximo passo, fala comigo no WhatsApp – sem compromisso, só para conheceres como posso apoiar-te.
Perguntas frequentes sobre dificuldade em confiar
É normal desconfiar de toda a gente depois de uma traição?
Sim, é uma reação natural. O teu sistema de alerta fica hiperativo para te proteger. Com tempo e suporte, podes aprender a distinguir ameaças reais de memórias passadas.
Quanto tempo leva para voltar a confiar?
Não há um prazo fixo. Depende da profundidade da ferida, do teu contexto atual e do trabalho que fizeres para regular o sistema nervoso. O importante é respeitares o teu próprio tempo.
Como confiar depois de ter sido traída por alguém próximo?
Começa por confiar em ti mesma – na tua capacidade de te proteger e de escolher relações saudáveis. Depois, permite que a confiança se reconstrua aos poucos, com pessoas que demonstram consistência.
A terapia pode ajudar mesmo se não me lembro de traumas?
Sim, porque o trauma não está só na memória consciente – está no corpo. A terapia somática ajuda a liberar essas tensões, mesmo sem recordares os detalhes.
