Se estás a pensar em começar terapia online, é natural que a confidencialidade seja uma das tuas maiores preocupações. Afinal, vais falar de coisas muito pessoais através de um ecrã. A boa notícia é que a terapia online pode ser tão segura e confidencial como a presencial, desde que evites alguns erros comuns. Neste artigo, vou explicar-te quais são esses erros e como os evitar, para que possas sentir-te tranquila e protegida durante o teu processo terapêutico.
Porque é que a confidencialidade na terapia online preocupa tanta gente?
A confidencialidade é um dos pilares da terapia. Saber que o que dizes fica entre ti e o teu terapeuta cria o espaço seguro necessário para explorares as tuas emoções e experiências. Na terapia online, esta preocupação ganha novos contornos: onde estão os dados? Quem tem acesso? E se alguém ouvir a conversa? Estas perguntas são válidas e merecem respostas claras.

Um estudo da American Psychological Association mostrou que a maioria dos psicólogos considera a terapia online tão eficaz quanto a presencial, mas a confidencialidade continua a ser um tema central. A boa notícia é que, com as precauções certas, podes minimizar os riscos e desfrutar de todos os benefícios da terapia online.
O que diz a lei em Portugal?
Em Portugal, a confidencialidade é garantida pelo Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses e pelo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). Isto significa que o teu terapeuta é obrigado a proteger os teus dados e a garantir a confidencialidade das sessões, tanto online como presenciais. No entanto, a responsabilidade também é tua: precisas de garantir que o teu ambiente e os teus dispositivos são seguros.
Erro #1: Usar plataformas não seguras
Um dos erros mais comuns é usar aplicações de videochamada que não são seguras, como o WhatsApp ou o Zoom básico, sem encriptação de ponta a ponta. Estas plataformas podem não cumprir os requisitos de privacidade necessários para sessões de terapia.
A solução é simples: usa plataformas específicas para terapia online, como a Psychology Today recomenda, ou verifica se o teu terapeuta te disponibiliza uma plataforma segura. Muitos profissionais usam serviços como o Doxy.me ou o VSee, que são desenhados para a área da saúde e cumprem as normas de segurança.
Como escolher a plataforma certa?
Pergunta ao teu terapeuta que plataforma usa e se tem encriptação de ponta a ponta. Se não tiveres a certeza, pede recomendações. Lembra-te: a segurança da tua informação é uma prioridade, e um bom profissional terá todo o gosto em esclarecer as tuas dúvidas.
Erro #2: Não garantir a privacidade do teu espaço físico

Outro erro comum é fazer a sessão num local onde podes ser ouvida ou interrompida. Se estás em casa com a família, no escritório ou num café, o risco de alguém ouvir a tua conversa é real. Isto não só compromete a tua privacidade, como também pode inibir-te de falar abertamente.
Para evitar este erro, escolhe um espaço onde te sintas segura e onde ninguém te possa ouvir. Pode ser um quarto com porta fechada, um carro estacionado num local sossegado, ou até uma sala de reuniões vazia. Usa auscultadores para garantir que só tu ouves o terapeuta.
Como ajustar ao teu ritmo
Se vives com outras pessoas, combina com elas que durante a sessão não deves ser interrompida. Explica-lhes que é um momento importante para ti. Se necessário, coloca um cartaz na porta a pedir silêncio. Pequenos ajustes como este fazem uma grande diferença na tua sensação de segurança.
Erro #3: Usar redes Wi-Fi públicas ou dispositivos partilhados
Fazer terapia online numa rede Wi-Fi pública, como a de um café ou biblioteca, é um risco de segurança. Estas redes são frequentemente menos seguras e podem ser alvo de ataques informáticos. O mesmo se aplica a usar um computador ou telemóvel partilhado com outras pessoas.
Para proteger a tua confidencialidade, usa sempre uma rede privada e segura, de preferência com palavra-passe. Se possível, usa um dispositivo que seja só teu, e certifica-te de que tem um código de acesso ou reconhecimento facial.
Erros comuns ao usar dispositivos
- Deixar o computador ou telemóvel sem bloqueio durante a sessão.
- Usar o mesmo dispositivo para trabalho e terapia, sem separar perfis.
- Não fechar outras aplicações que possam aparecer no ecrã.

Pequenos cuidados como estes evitam que informações sensíveis sejam vistas por outras pessoas.
Erro #4: Não verificar as políticas de privacidade do terapeuta
Muitas pessoas assumem que todos os terapeutas seguem as mesmas regras de confidencialidade, mas não é bem assim. Cada profissional pode ter políticas diferentes em relação ao armazenamento de dados, gravação de sessões e partilha de informação com outros profissionais.
Antes de começares, pergunta ao teu terapeuta como ele gere os teus dados. Que plataforma usa? Onde são armazenadas as gravações, se houver? Ele partilha informação com supervisores? Um bom terapeuta terá todo o prazer em responder a estas perguntas e em mostrar-te que a tua privacidade é uma prioridade.
Como manter segurança enquanto exploras isto
Se estás a explorar a possibilidade de terapia online, não tenhas receio de fazer perguntas. É o teu direito saber como os teus dados são tratados. Se sentires que o terapeuta não é transparente, isso pode ser um sinal de alerta. A confiança é fundamental na relação terapêutica, e isso começa com a confidencialidade.
Erro #5: Ignorar os teus próprios limites de conforto
Por fim, um erro que muitas mulheres cometem é ignorar o próprio desconforto. Se te sentes insegura em relação à terapia online, é importante validar esse sentimento. Não forces a situação. Fala com o teu terapeuta sobre as tuas preocupações e vejam juntos como podem criar um ambiente mais seguro.

Lembra-te: a terapia é um espaço para te sentires à vontade, não para te sentires em alerta. Se a terapia online não for a melhor opção para ti, podes sempre optar por sessões presenciais. O importante é que encontres um formato que te permita abrir-te sem medo.
Como ajustar ao teu ritmo
Cada pessoa tem o seu ritmo. Algumas sentem-se confortáveis com a terapia online desde o início; outras precisam de mais tempo. Não há pressa. Podes começar com uma sessão experimental e ver como te sentes. Se algo não estiver certo, podes sempre ajustar.
Conclusão: a confidencialidade é uma responsabilidade partilhada
A confidencialidade na terapia online não é apenas responsabilidade do terapeuta; também é tua. Ao evitares estes erros comuns, estás a proteger a tua privacidade e a criar um espaço seguro para o teu processo de cura. Lembra-te de que a terapia é um investimento em ti, e mereces sentir-te segura e acolhida.
Se tens dúvidas ou queres falar sobre como funciona a terapia online, estou aqui para ajudar. Fala comigo no WhatsApp e vamos conversar sem compromisso.
Nota de segurança: se estás em crise ou em perigo imediato, liga para o 112 (emergências) ou para o SNS 24 (808 24 24 24). A tua segurança é sempre a prioridade.
Perguntas frequentes sobre confidencialidade na terapia online
A terapia online é mesmo confidencial?

Sim, desde que uses plataformas seguras e garantas a privacidade do teu espaço. O teu terapeuta é obrigado a cumprir as normas de confidencialidade, mas também precisas de fazer a tua parte.
O que devo perguntar ao terapeuta sobre confidencialidade?
Pergunta sobre a plataforma usada, como os teus dados são armazenados, se as sessões são gravadas e se a informação é partilhada com supervisores. Um bom terapeuta responderá com transparência.
Posso usar o meu telemóvel para as sessões?
Podes, desde que o telemóvel seja só teu e esteja protegido com código de acesso. Evita redes Wi-Fi públicas e garante que estás num espaço privado.
E se alguém entrar na sala durante a sessão?
Se fores interrompida, não entres em pânico. Podes pedir à pessoa para sair e continuar a sessão. Se preferires, podes terminar a sessão e remarcar. O importante é que te sintas segura.
