Quando procuras terapia online, uma das primeiras perguntas que pode surgir é: como sei que as minhas conversas estão seguras? A confidencialidade é um pilar da relação terapêutica, e no contexto digital ganha contornos específicos. Neste artigo, explico-te o que distingue uma boa prática de confidencialidade na terapia online e como podes reconhecê-la, para te sentires segura antes de iniciares o teu processo.
O que é a confidencialidade na terapia online?
A confidencialidade na terapia online significa que tudo o que partilhas com o teu psicólogo é protegido, tanto no plano ético como no técnico. No plano ético, o psicólogo segue o código deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, que obriga ao sigilo profissional. No plano técnico, a comunicação e os dados são encriptados e armazenados de forma segura, para que ninguém além de ti e do teu terapeuta tenha acesso.
Diferenças entre terapia presencial e online

Na terapia presencial, a confidencialidade está associada ao espaço físico do consultório. Na online, o espaço é virtual, mas a proteção é igualmente importante. A diferença está nos meios: enquanto no presencial basta fechar a porta, no online é preciso garantir que a plataforma de videochamada é segura, que os dados não ficam gravados em servidores não autorizados e que o teu ambiente também é privado.
O que a lei diz sobre o sigilo profissional
Em Portugal, o sigilo profissional é um dever legal e ético dos psicólogos, previsto no Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Este dever aplica-se a toda a informação partilhada no contexto terapêutico, independentemente do formato. Podes consultar mais informação no site da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Como reconhecer uma boa execução da confidencialidade
Existem sinais concretos que te indicam que o teu terapeuta leva a confidencialidade a sério. Presta atenção a estes aspetos na primeira consulta ou antes dela.
Plataformas seguras e encriptação
Um bom profissional utiliza plataformas de videochamada com encriptação de ponta a ponta, como o Zoom for Healthcare, o Google Meet ou o Skype, com as definições de privacidade ajustadas. Evita plataformas genéricas sem encriptação. Pergunta ao teu terapeuta qual a plataforma que usa e como protege os dados.
Política de privacidade clara

O terapeuta deve ter uma política de privacidade escrita, que explique como os teus dados são armazenados, quem tem acesso e por quanto tempo são guardados. Esta política deve ser-te entregue antes do início do processo, para que possas ler e esclarecer dúvidas.
Consentimento informado
Antes de começares, deves assinar um consentimento informado que descreva os limites da confidencialidade, como por exemplo, situações de risco para ti ou para terceiros. Este documento é um sinal de transparência e profissionalismo.
Erros comuns que comprometem a confidencialidade
Nem todos os profissionais têm as mesmas práticas. Conhecer os erros mais comuns ajuda-te a identificar sinais de alerta.
- Utilizar plataformas não seguras, como redes sociais ou aplicações de mensagens sem encriptação.
- Gravar sessões sem o teu consentimento explícito.
- Partilhar informações com terceiros sem autorização, exceto em situações legalmente obrigatórias.
- Não fornecer uma política de privacidade clara.
Como ajustar ao teu ritmo: o que podes fazer para proteger a tua privacidade
Tu também tens um papel ativo na proteção da tua confidencialidade. Aqui estão algumas práticas que podes adotar.
Escolhe um local privado

Garante que estás num espaço onde não és interrompida e onde não és ouvida por outras pessoas. Usa headphones e evita locais públicos.
Protege os teus dispositivos
Coloca palavras-passe fortes nos teus dispositivos e utiliza redes Wi-Fi seguras. Evita redes públicas de internet durante as sessões.
Pergunta sem medo
Se tiveres dúvidas sobre como os teus dados são tratados, pergunta diretamente ao teu terapeuta. Um bom profissional terá todo o gosto em explicar-te as medidas que adota.
Como manter segurança enquanto exploras isto
Se estás a considerar terapia online para lidar com ansiedade, burnout ou traumas relacionais, é natural que queiras sentir-te segura. A confidencialidade é uma parte essencial dessa segurança. Lembra-te de que a terapia é um espaço teu, e a proteção da tua privacidade é um direito.

Se, em algum momento, sentires que a tua confidencialidade não está a ser respeitada, tens o direito de interromper o processo e procurar outro profissional. Podes também apresentar uma queixa à Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Nota de segurança
Se estiveres em crise ou a sentir que a tua vida está em perigo, liga para o 112 (emergência médica) ou para a linha de apoio SNS 24 (808 24 24 24).
Perguntas frequentes
Como sei se a plataforma de videochamada é segura?
Podes verificar se a plataforma tem encriptação de ponta a ponta e se cumpre as normas de proteção de dados (RGPD). O teu terapeuta deve ser capaz de te informar sobre isso.
Posso pedir para não ser gravada?
Sim, absolutamente. As gravações só podem ser feitas com o teu consentimento explícito e para fins específicos (por exemplo, supervisão clínica). Se não te sentires confortável, podes recusar.
O que acontece aos meus dados depois do fim da terapia?

O terapeuta deve ter uma política de retenção de dados, que define por quanto tempo os teus registos são guardados e quando são eliminados. Podes perguntar sobre isso.
Conclusão
A confidencialidade na terapia online é uma questão de confiança e de boas práticas. Ao reconheceres os sinais de uma boa execução, podes sentir-te mais segura para iniciares o teu processo de cura. Se tiveres dúvidas ou quiseres saber mais sobre como trabalho, fala comigo no WhatsApp.
